COMECON

Conselho para Assistência Econômica Mútua

GUIA DE ESTUDOS COMECON 1984 (Download)

GUIA ANEXO – COMECON (Download)

Zdravstvuyte camaradas delegados e delegadas!

Como proposta inédita para a XVII edição, em 2017, a Simulação de Organizações Internacionais (SOI) contará, dentre os comitês universitários a serem simulados, com o Conselho para Assistência Econômica Mútua (COMECON), organização internacional do Bloco Socialista criada durante a Guerra Fria para promover a integração econômica dos países que compactuavam com o modelo socialista.

Nossa simulação ocorrerá em 1984, por isso, a Diretoria do COMECON gostaria de lembrá-los que todos os acontecimentos narrados no texto abaixo remontam àquela época.

Bem-vindos a 1984, bem-vindos à União Soviética!

Surgido nos frios ventos de janeiro de 1949, no Leste Europeu, a partir de um desejo de Josef Stalin, o Conselho para Assistência Econômica Mútua (COMECON) foi concebido pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), ao lado de Bulgária, Checoslováquia, Hungria, Polônia e Romênia, com a finalidade de aumentar e fortalecer a integração entre os estados socialistas, inclusive os menores, situados na Europa Central. Sendo assim, a criação do Conselho foi proposta ao secretário-geral do Partido Comunista da URSS pelo líder romeno Gheorghe Gheorghiu-Dej, cujo propósito era que fosse concebido um sistema de cooperação entre repúblicas populares que pudessem exportar equipamentos e máquinas industriais para a Romênia.

A urgência quanto à existência desse conselho econômico também se deu em virtude do Programa de Recuperação Europeia orquestrado pelos Estados Unidos da América (EUA), que cobrava dos países aliados, entre outras medidas, a adoção de modelos econômicos de livre mercado. De forma que havia o receio do fortalecimento de laços entre as nações filiadas ao bloco soviético e os estados europeus livres, Stalin ordenou aos governos comunistas que se retirassem da Conferência de Paris que tratava do referido programa.

O planejamento do COMECON seguiu a passos largos, sendo inauguradas em Moscou as suas sedes financeiras: o Banco Internacional de Cooperação Econômica e o Banco Internacional de Investimento. Com o passar do tempo, grande parte das nações do bloco se tornaram autarquias econômicas, e o Conselho começou a proferir suas primeiras decisões, as quais, até o ano de 1967, eram baseadas em acordos unânimes.

Apesar de ter enfrentado problemas internos, como a crise de legitimidade enfrentada pelo governo de alguns dos Estados-membro, o COMECON encontrou benesses no início de sua atuação. Por não precisar atender a demandas vorazes de lucro e mercado, os preços comerciais permaneceram estáveis por muitos anos, o que facilitou o planejamento econômico central. Os países criaram laços mais fortes entre si, já que a divisão e a especialização produtiva entre os países do bloco ajudaram a manejar com mais facilidade a escassez de recursos, e com a proteção contra o mercado mundial, os países ganharam mais estabilidade.

Apesar disso, muitas medidas acabaram se perdendo. Mesmo com a flexibilização do modo que as decisões do Conselho eram adotadas, tornou-se comum que os Estados-membros não conseguissem cumprir as determinações com eficácia e, com poucas exceções, o comercio exterior das nações integrantes do COMECON baseava-se no monopólio estatal, o que gerava altos níveis de corrupção. Ainda nos melhores cenários, a pressão politica levava muitos países a manter os melhores produtos e serviços dentro de suas próprias fronteiras e, como as empresas eram majoritariamente nacionais, ainda que as mercadorias chegassem a outros países, não havia qualquer espécie de adaptação para atender às necessidades dos clientes estrangeiros.

Constata-se que, entre a concepção do organismo, no início dos anos 50, e os primeiros anos da década de 80, o comércio intra-COMECON se vê em constante declínio, com exceção da comercialização de combustíveis fósseis, fontes instáveis de energia e de renda, as quais que não se mostram suficientes para conter a crise econômica enfrentada pelo bloco socialista.

TEMA ÚNICO: A REFORMA DO BLOCO SOVIÉTICO FRENTE AOS AVANÇOS DO CAPITALISMO E A CRISE NO MODELO ECONÔMICO SOCIALISTA

Finda a Segunda Guerra Mundial, o mundo testemunhou a corrente polarização da comunidade internacional em duas zonas de influência político-econômica – a capitalista e a socialista –, sendo deflagrada uma verdadeira corrida por poder e controle, liderada pelas nações atualmente mais destacadas, os Estados Unidos e a União Soviética. Tal competição se revela pelas vertentes Espacial, nas figuras de Neil Armstrong, Yuri Gagarin e da cadelonauta Laika, e Armamentista, verificada pelo crescente potencial bélico nuclear de ambos os polos.

No âmbito econômico, a priori, os países capitalistas vivem sua Era de Ouro, com seus índices econômicos crescendo a níveis galopantes e as pessoas usufruindo dos benefícios do Welfare State. A União Soviética e os países do bloco socialista, por outro lado, vivem, ainda, a consolidação de sua experiência, por meio planos quinquenais, que definem as diretrizes para o funcionamento e o crescimento econômico, havendo uma forte ingerência das forças políticas sobre o desenvolvimento.A partir de 1980, uma nuvem cinzenta de incerteza pairou sobre os países socialistas, anunciando iminentes consequências tão devastadoras quanto o inverno russo, ultrapassando as mais negativas previsões de Stalin no ensaio de 1951, intitulado “Os problemas econômicos do Socialismo na URSS”.

O modelo de planejamento central passou a se mostrar insuficiente, ante a reestruturação produtiva promovida pelos países capitalistas. A economia, em muito dependente da comercialização de petróleo e gás, se fragilizou com as Crises do Petróleo da década de 1970, e a instabilidade refletiu diretamente no desenvolvimento doméstico, sendo esta a dificuldade que gerou insegurança aos aliados do Leste Europeu.No plano político, cresce a contestação da doutrina do socialismo real, por pregar um Estado que garante o Bem-Estar Social sem garantir efetivamente as liberdades democráticas. A população, cada vez mais consciente, está percebendo que o processo de burocratização do comunismo cerceia seus projetos de vida e a torna refém da estagnação e do mito da igualdade. A insatisfação caminha de mãos dadas com os russos, como diria o genial Dostoiévski: Crise e Comunismo.

Dessa forma, é com urgência que o COMECON se reunirá, no ano vindouro de 1984, para que seus membros assumam uma posição perante as ameaças advindas do contexto de instabilidade e, além disso, respondam de forma enérgica à crise de seu próprio modelo de desenvolvimento, evitando investidas por parte dos EUA, que certamente tentará levar para o outro lado da cortina de ferro os aliados soviéticos.Nesse cenário preocupante, é fundamental que sejam propostas medidas que conjuguem a necessidade de retomar o progresso econômico e tecnológico do Bloco Socialista, mas que, sobretudo, tragam de volta aos trilhos a utopia que os une, no afã de emancipar o homem e transformar o mundo.

APÊNDICE: RECOMENDAÇÕES

•    FILMES E SÉRIES

Adeus Camaradas (França, 2011)
SINOPSE: Filmado em 12 países da Europa, alternando entrevistas, músicas e imagens raras de arquivo, a minissérie francesa explora o lado oculto de um dos eventos mais importantes do século XX: o apogeu e a queda do regime comunista. Abordando o período entre 1974 e 1991, “Adeus Camaradas” oferece um ponto de vista único e plural sobre a crise do socialismo real, as opiniões desencantadas daqueles que viveram o comunismo, mas, sobretudo, como o império soviético se despedaçou sem dar um único tiro.
Disponível no Youtube: <http://www.youtube.com/watch?v=CJhqXdRTHGA>

Adeus, Lênin! (Alemanha, 2003)
SINOPSE: Filme que ilustra bem a crise no modelo socialista de economia e mostra a realidade de uma família da Alemanha Oriental, antes e após da queda do Muro de Berlim, símbolo físico da polarização das influências geopolíticas. O filme retrata as dificuldades de adaptação de uma senhora, membro fervoroso do Partido da União Socialista Alemã, que entrou em coma meses antes da Queda e acordou em uma Alemanha Oriental invadida pelo capitalismo. Além de uma boa programação, o filme traz boa contextualização histórica e social da época.
LINK: <http://www.filmescult.com.br/adeus-lenin-2003>

The Americans (Estados Unidos, 2013)
SINOPSE: O seriado é focado na vida de um casal de espiões da KGB no começo da década de 80 em uma missão secreta em solo americano consistente em se misturar à população, despercebidos, para realizar quaisquer ordens de Moscou, custe o que custar. Interpretando acontecimentos reais, como a tentativa de assassinato ao presidente republicano Ronald Reagan e os protestos antissoviéticos na Polônia, assim como as dificuldades de adaptação e tensões geopolíticas intensas, “The Americans” é, ao mesmo tempo em que boa fonte de informação e ambientação, um ótimo entretenimento com a temática da queda do comunismo.
Disponível na Netflix

•    LIVROSA Revolução dos Bichos (George Orwell, 1945)
SINOPSE: Mais historicamente situado na época da Revolução Russa de 1917, o aclamado livro de Orwell é uma sátira à União Soviética comunista e a política stalinista, narrando, fazendo uso de animais como alegorias, um processo revolucionário de tomada de poder e estabelecimento de regime igualitário à base de corrupção e traições. Apesar de não relacionado diretamente à temática a ser trabalhada pelo comitê, “A Revolução dos Bichos” se trata de uma boa leitura que em muito contribui para uma contextualização crítica do período de concepção da URSS, precursora do bloco em foco.A Era dos Extremos (Eric Hobsbawm, 2008)
SINOPSE: Em um clássico da historiografia marxista, Eric Hobsbawm procura discorrer sobre o breve e extremado século XX, período edificado pelas catástrofes, incertezas e crises que ainda marcam fortemente a Humanidade. Em uma narrativa instigante e reflexiva, o autor britânico divide a história do século em três: a era da catástrofe, marcada pelas duas grandes guerras mundiais, bem como o surgimento do sistema político e econômico da URSS enquanto contraponto ao capitalismo; a era de ouro, em que ocorre um processo de estabilização e viabilização do capitalismo, responsável pela ascensão do Welfare State e de uma extraordinária expansão econômica; e, por último, a era da incerteza, período compreendido pela derrocada do “socialismo real” e dos sistemas institucionais que limitavam e preveniam o barbarismo contemporâneo, dando lugar a um processo de globalização marcado pela financeirização da política e da irresponsabilidade teórica do neoliberalismo econômico.
Diretor Acadêmico:
Renato Cesar Gurgel Guimarães de Oliveira
Diretores Assistentes:
Airon Charles Câmara Filho
Caio Fernando de Medeiros Rodrigues
Ivilla Nunes Gurgel
Jéssica Macedo Figueiredo de Freitas
Renan Rodrigues Pessoa
Tutora Orientadora:
Amanda Jales de Medeiros Silva