LEA

Liga dos Estados Árabes (LEA)

Marhaban delegados e delegadas,

Dentre os comitês universitários a serem simulados na XVIII Simulação de Organizações Internacionais (SOI), em 2018, contaremos com a Liga dos Estados Árabes (LEA), trazendo a proposta desafiadora de lançar um novo olhar sobre o Oriente Médio e os seus conflitos. A Diretoria da LEA convida todas e todos para conhecer um pouco mais sobre esta organização regional e a temática a ser abordada.

Bem vindos ao Mundo Árabe!

A Liga dos Estados Árabes (LEA) – mais conhecida como Liga Árabe – é uma organização regional composta por 22 estados, fundada em março de 1945, com sede na cidade do Cairo, Egito. Com o objetivo de articular as questões políticas e econômicas de seus países membros em âmbito internacional, a Liga Árabe também ganha propósito no fortalecimento da cooperação entre seus Estados, conquanto defende seus interesses políticos frente às influências externas.

Como é descrito na Carta da organização, em seu segundo artigo, a Liga dos Estados Árabes se propõe a reforçar as relações entre os Estados-membros, coordenar suas políticas com o intuito de alcançar cooperação entre eles e de salvaguardar sua independência e soberania, bem como a dar uma atenção generalizada para assuntos e interesses dos países árabes. Desta feita, a Liga Árabe demonstra-se importante instrumento na política externa de seus estados membros, seja interna ou externamente. [1]

A Liga dos Estados Árabes fora historicamente considerada ineficaz, e enfrenta, até hoje, ferozes críticas. Apesar disso, com o alvorecer das crises que assolam o mundo árabe, o protagonismo da Organização na mediação desses conflitos resultou na solidificação de sua credibilidade perante a comunidade internacional. Em sua atuação, firmou diversos acordos multilaterais, podendo ser mencionado o Tratado de Defesa Conjunta e Cooperação Econômica, de 1950, evocado na Guerra Civil no Iêmen, em 2015, para criar força militar conjunta frente ataques extremistas. Tal medida só exemplifica, nesse sentido, a intensificação da atuação da Liga no gerenciamento e mediação dos conflitos no Oriente Médio.

TEMA ÚNICO: “A QUESTÃO DA SEGURANÇA NO ORIENTE MÉDIO: TENSÕES NO EQUILÍBRIO POLÍTICO MULÇUMANO”

O Oriente Médio corresponde a uma região geográfica compreendida entre o continente europeu e o continente asiático. Sua localização geográfica lhe confere ao mesmo tempo um prestígio e um dissabor: ao mesmo passo em que é uma zona estratégica para trocas comerciais e exploração petrolífera, é uma verdadeira encruzilhada de múltiplos interesses e influências.

Em que pese os países árabes compartilhem semelhanças históricas, culturais, religiosas e étnicas, fator que, inclusive, foi a premissa para a criação da Liga dos Estados Árabes, a “segurança” é um termo polissêmico e enxergado sob a ótica dos interesses de cada grupo que representa o poder local ou daqueles grupos que tentam tomar o poder.

A propósito, poder-se-ia dizer “questão da segurança” no plural, visto os diversos significados assumidos pela segurança no Oriente Médio e Norte da África. Pinar Bilgin [2] defende que as frequentes rotas de colisão são motivadas pelas concepções rivais de segurança entre os países ou até mesmo internamente. Não é por acaso que as violações aos direitos humanos na Península Arábica datam de muitos séculos atrás e são justificadas, principalmente, pelas diversas interpretações do Islã e a busca pela proteção dos seus seguidores, tendo como exemplo a histórica rivalidade entre xiitas e sunitas.

Nas últimas reuniões do Conselho da Liga, vinha-se cogitando a possibilidade da criação de uma Força Militar Única, consubstanciando a concepção de segurança nacional árabe enquanto entidade transestatal, à semelhança da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), superando os interesses meramente particulares de cada país. Na Cúpula anual de 2015, enfim, foi aprovada a criação de tal força de combate. Apesar de não ter sido efetivada, ela seria um mecanismo importante no apaziguamento de conflitos internos e de combate às interferências estrangeiras nos territórios árabes.

Dessa forma, é com urgência que a Liga dos Estados Árabes se reunirá para que seus membros assumam uma posição perante as ameaças advindas da instabilidade política ocorrida no mundo árabe e, além disso, discutam as raízes dos seus conflitos e respondam de forma enérgica à complexa teia de contendas que vem ameaçando enormemente a segurança nos países do Oriente Médio.

Nesse cenário preocupante, é imprescindível que se tomem medidas efetivas e de resultado imediato para a resolução das tensões políticas no mundo árabe, conjugando a implementação de instrumentos autônomos e eficazes que gerenciem as ameaças e conflitos regionais na Península Arábica, mas que, sobretudo, sejam capazes de propagar a paz e harmonia entre os povos, no afã de levar a uma convivência pacífica.

DOCUMENTÁRIOS E LIVROS

The Square (2013 – documentário):

Em 2011, quando o povo egípcio invadiu a praça Tahrir e depôs o ditador Hosni Mubarak, nada estava definido. The Square capta, de forma contundente, as ações, reações, depoimentos e conflitos destas e outras pessoas que participaram ativamente do movimento em suas várias etapas. Instigante na forma como expõe as armadilhas de uma revolução que reivindica e consegue a queda de um governo, mas que não se preocupa em apontar líderes para uma mudança efetiva, o documentário mostra como a derrubada de Mubarak acabou servindo não apenas para a ascensão dos militares, bem como de um presidente que acaba se revelando ainda pior do que seu antecessor. The Square prova que a Primavera Árabe é um processo contínuo sobre o qual ainda não é seguro estabelecer conclusões.

Disponível na Netflix

Os Capacetes Brancos (2016 – documentário):

Documentário original feito pela Netflix gravado em Aleppo, Síria e na Turquia no início de 2016. Como a violência se intensifica, a defesa civil, autointitulada “Capacetes Brancos”, segue três equipes de resgate voluntário que se colocam na linha para salvar civis afetados pela guerra, o tempo todo sacudido com preocupações como a segurança de seus próprios entes queridos. Comovente, inspirador e ganhador do Oscar, este documentário é um instantâneo das realidades angustiantes da vida para os sírios comuns que permanecem no país e um retrato humilhante do poder do espírito humano.

Disponível na Netflix.

Dias de Inferno na Síria (2012 – livro):

O jornalista Klester Cavalcanti partiu, em maio de 2012, com a missão de registrar a realidade da guerra civil na Síria. Foi para Beirute, no Líbano, com toda documentação e o nome de um contato que o esperava na cidade de Homs, já na Síria, então epicentro do conflito entre as forças do ditador Bashar al-Assad e os rebeldes do Exército Livre do país. Contudo, o plano não saiu como esperado. Ele foi preso pelas tropas oficiais, torturado e encarcerado por seis dias, com mais de 20 detentos. Até hoje, ele é o único jornalista brasileiro a entrar em Homs, a terceira maior cidade da Síria e uma das mais afetadas pela guerra.

Diretores acadêmicos:

Jéssica Macêdo Filgueira de Freitas

Renan Rodrigues Pessoa

Diretores assistentes:

Marina Olívia Sousa e Silva

Nathália Santos Tinôco da Costa

Rick Souza Oliveira

Rodrigo Mendonça Medeiros

Tutora:

Natália Eugênia da Cunha Pegado

Guia de Estudos:

Guia de Estudos – LEA 2018

Guia Anexo:

Guia Anexo – LEA 2018

REFERÊNCIAS

[1] LEA. Carta da Liga dos Estados Árabes, 1945. Disponível em

<http://www.refworld.org/docid/3ae6b3ab18.html> Acesso em 20 de dez. 2017.

[2] BILGIN, Pinar. O Significado da Segurança no Médio Oriente. Nação e Defesa, Lisboa, v. 2, n. 99, p.149-170, out. 2001.

DEMANT, Peter. O Mundo Muçulmano. 3. ed. São Paulo: Contexto, 2015.

RELAÇÕES EXTERIORES, Ministério das. Liga dos Estados Árabes. Disponível em: <http://www.itamaraty.gov.br/pt-BR/politica-externa/mecanismos-inter-regionais/3682-liga-dos-estados-arabes-lea>. Acesso em: 20 dez. 2017.

SIMULAÇÕES TEMÁTICAS. Guia de Estudos. Disponível em: <http://temasmg.com/wp-content/uploads/2016/05/lea_guiadeestudos_temas12.pdf>. Acesso em: 20 dez. 2017

WACHHOLTZ, Matías Ferreira. Autonomia e Integração em Defesa no Golfo arábico: a força combinada “Escudo da Península” e a projeção de uma “OTAN árabe”. In: Encontro da Associação Brasileira de Relações Internacionais. 6., 2017. Minas Gerais. Anais…Minas Gerais, 2017. Disponível em: <http://www.encontro2017.abri.org.br/resources/anais/8/1499740908_ARQUIVO_AutonomiaeIntegracaoemDefesanoGolfoarabico.pdf>. Acesso em 13.dez.2017.